O sucesso do filme da Netflix "K-Pop Demon Hunters" (doravante referido como "K-Dehun") também foi fortemente influenciado pelo poder do fandom do BTS. Quando "K-Dehun" foi lançado no final de junho do ano passado, não se tornou um sucesso imediato de boca a boca. Cerca de duas semanas depois, em 16 de julho, Jungkook, membro do BTS, publicou um vídeo na plataforma de fãs Weverse Live, derramando lágrimas e expressando sua emoção após assistir a "K-Dehun", o que marcou o início de sua popularidade explosiva. Assim que a cena de Jungkook enxugando as lágrimas foi publicada na conta oficial da Netflix com o título "O membro do BTS, Jungkook, também assistiu a 'K-Dehun'", surgiram reações como "O que é 'K-Dehun'?" A hashtag #VamosAssistirTambém" se espalhou rapidamente. Uma fonte da indústria disse: "O chamado 'vídeo do Jungkook chorando' deve ter sido visto por dezenas de milhões de pessoas ao redor do mundo", acrescentando: "Embora nem a Netflix nem o Weverse divulguem números, já existem inúmeros vídeos criados e enviados por fãs que acumularam centenas de milhares a milhões de visualizações."

O BTS desfruta de um alcance global através das redes sociais, conhecidas coletivamente como mídias sociais. Isso se deve aos seus fãs dedicados, que "traduzem as músicas e entrevistas do BTS para inúmeros idiomas, ouvem e divulgam sua música, e se organizam e se dedicam a ela" (The Economist). Conectados pelas mídias sociais e plataformas de fãs, esses fãs amplificam a influência do BTS por meio de curtidas, comentários e desafios, um fenômeno "não encontrado em muitas outras estrelas pop".
◇“O valor do mercado criado pelos fãs”
O sucesso do BTS tem sido frequentemente comparado ao dos Beatles, que dominaram a cultura pop americana na década de 1960. Sua estreia em 1964 na televisão pública americana (The Ed Sullivan Show) atraiu um recorde de 73 milhões de telespectadores na época, dando origem ao termo "Invasão Britânica". Mas agora, o BTS tem centenas de milhões de fãs, inspirando danças, desafios e memes. Enquanto os Beatles cativavam os telespectadores e popularizavam novos estilos de música, moda e penteados, o BTS utiliza plataformas de mídia social do século XXI, como o YouTube e o X (antigo Twitter), para se comunicar com seus fãs globais e criar um novo estilo de vida.
O número de fãs do BTS no Weverse chega a 32,37 milhões. Destes, 11,6 milhões (dados do terceiro trimestre do ano passado) são classificados como "usuários ativos". Usuários ativos são aqueles que visitam o Weverse regularmente para comprar produtos e participar de atividades relacionadas à cultura K-pop. Suas cidades de residência, gastos e compras de ingressos para shows são registrados como dados. Cada atividade que realizam — streaming, curtidas, comentários e participação em desafios — se transforma em dados, alimentando algoritmos e criando valor de mercado. Embora a Hybe divulgue o número de usuários ativos como informação corporativa essencial em seus relatórios de negócios, ela não revela detalhes adicionais. Um representante da Hybe afirmou: "Os dados dos fãs são mantidos com o mais alto nível de segurança dentro da empresa. Por exemplo, ao selecionar os locais para esta turnê mundial, os dados nos permitem fazer previsões muito específicas, como quais cidades atrairão dezenas de milhares de fãs." Comunidades de fãs e dados são, na prática, ativos essenciais para o negócio de cultura K-pop do BTS.
◇A TI coreana encontra o conteúdo coreano e evolui para a tecnologia cultural.
A cultura coreana não surgiu do nada. A indústria de conteúdo coreano para TV, antes conhecida como a "Onda Coreana", passou por altos e baixos. Começando com BoA em 2008 e continuando com as Wonder Girls em 2009, as tentativas de entrar no mercado americano fracassaram repetidamente. O modelo de negócios antiquado de buscar grandes produtoras e gravadoras de Hollywood já estava chegando ao fim nos EUA.
Naquela época, os smartphones já haviam se popularizado no mundo todo, e "Gangnam Style" (2012), do Psy, impulsionado pelo YouTube, se tornou um sucesso. Enquanto olhávamos para o exterior, o segredo da nossa expansão global estava dentro de nós mesmos. Isso foi possível porque a Coreia foi o primeiro país do mundo a instalar internet de alta velocidade e dados sem fio seguros. A revista Time, na época, chamou o K-pop de "a maior exportação da Coreia do Sul" e concluiu: "Não é coincidência que a cena musical mais badalada do mundo venha da nação com o melhor acesso sem fio do planeta".
A Coreia, o primeiro país a comercializar internet de alta velocidade, fomentou uma cultura de compartilhamento singular. Além disso, a proliferação de smartphones e a disseminação da cultura do YouTube maximizaram o consumo individual de mídia. O BTS, que estreou em 2013, nasceu nesse contexto. A imagem de uma potência da tecnologia da informação, liderada pela Samsung e pela indústria de telefonia móvel, atraiu um público jovem e ávido por conteúdo. Ademais, o conteúdo coreano, tão envolvente que é difícil desviar o olhar dos dispositivos móveis, criou uma sinergia que se tornou tendência global.
Kim Yun-ji, pesquisadora sênior do Instituto de Pesquisa Econômica Internacional do Banco de Exportação e Importação da Coreia e estudiosa de economia e indústria, autora de “Hallyu Side Story”, afirmou: “Se eu tivesse que escolher os pontos de virada mais importantes na globalização da cultura coreana, seriam a expansão da infraestrutura sem fio e a disseminação dos smartphones”. Ela acrescentou: “Um canal foi criado para que o conteúdo coreano se globalize por meio de plataformas globais como o YouTube e plataformas de streaming OTT como a Netflix”.
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